Risco de pré-câncer em mulheres negras quilombolas com anormalidades citológicas menores e sua relação com a microbiomacérvico vaginal
International Journal of Development Research
Risco de pré-câncer em mulheres negras quilombolas com anormalidades citológicas menores e sua relação com a microbiomacérvico vaginal
Received 27th May, 2021; Received in revised form 20th June, 2021; Accepted 26th July, 2021; Published online 30th August, 2021
Copyright © 2021, José de Ribamar Ross et al. This is an open access article distributed under the Creative Commons Attribution License, which permits unrestricted use, distribution, and reproduction in any medium, provided the original work is properly cited.
Introdução: Ainda falta conhecimentos sobre o perfil da microbioma vaginal de mulheres de grupos étnicos minoritários, uma vez que os estudos existentes se concentraram principalmente em mulheres de ascendência branca, asiática, hispânica e afro-americana. Este estudo vem contribuir no preenchimento desta lacuna. O câncer cervical é o quarto tipo de câncer mais comum entre as mulheres em todo o mundo, com mais de 500.000 novos casos diagnosticados a cada ano, resultando em mais de 300.000 mortes. O principal fator associado ao desenvolvimento do câncer cervical é a infecção persistente do papilomavírus humano (HPV). No entanto, a ocorrência de NIC ou câncer cervical requer outros fatores. A estabilidade e composição do microbioma vaginal podem desempenhar um papel importante na determinação da resposta imune inata do hospedeiro e suscetibilidade à infecção. Relativamente pouco se sabe sobre os mecanismos envolvidos na eliminação ou persistência da infecção por HPV. Junto com taxas mais altas de infecção por HPV, a vaginose bacteriana também está associada ao retardo da eliminação do vírus e da NIC. Objetivo: Correlacionara ocorrência de células escamosas atípicas do colo uterino e a microbioma cérvicovaginal em mulheres de grupos etnicos minoritários. Metodologia: Estudo transversal do tipo exploratório descritivo realizado com mulheres negras de cinco áreas quilombolas de Caxias – MA.na fixa etária de 10 a 64 anos. Seu N amostral total será de 145 mulheres a serem coletadas. Foi realizado uma coleta do exame Papanicolau que foram processadas no laboratório do banco de tumores do Maranhão (UFMA) localizado em São Luís – MA. um questionário estruturado contendo 46 questões. sendo aplicado através de entrevista. Os questionários respondidos foram implantados no software REDCap. As variáveis foram avaliadas segunda o Odds ratio (OR) com os respectivos intervalos de confiança de 95% (IC 95%) e nível de significância estatística de 5% (p < 0,05). O projeto de pesquisa foi aprovado conforme CAEE Nº 96368518.4.0000.5554. Resultados: A prevalência na amostra de células escamosas atípicas foi de 6,30% (9 casos). observou-se que no total de 13 variáveis sócio demográficas e clínicas analisadas apenas a menopausa apresentou significância na amostra enquanto fator de risco. Assim 43 (87,8%) das mulheres pesquisadas que estavam em menopausa 12,2% destas desenvolveram as alterações. Com relação a faixa etária em que estas alterações se expressaram a maioria dos casos ocorreu entre 30 e 64 anos com 77,77%(7) casos sendo que, 44,44 destes originaram-se entre os 50 e 64 anos de idade. O HSIL destacou-se na faixa etária entre 50 e 64 anos. Nas mulheres pesquisada com alterações citológicas e/ou histológicas expressas, em 100% (9) destas havia uma microbiota vaginal presente/ativa. Assim aGardnerella vaginalis e o Trichomonas vaginalis ocorreu em apenas um caso cada (ASC-H). O agente etiológico correlacionado e mais expressivo foi a Candidas sp. presente em 03 casos sendoACS-US (1) caso e LSIL (02) casos, havia coinfecção com facilitadores do HPV em 55,55% dos casos. Conclusão: O estudo nos revelou que as alterações celulares atípicas de colo de útero ocorreram nos grupos de mulheres quilombola e cigano investigado. A menopausa foi o principal fator de risco onde, 12,2% das mulheres investigadas desenvolveram as alterações celulares atípicas no colo de útero. O comportamento cultural não teve influência na prevalência das alterações estudadas. A Gardnerella, a Trichomonas e aCandidíase foram os principais agentes facilitadores do HPV evidenciados. Este fato demonstra que o vírus HPV pode estar circulando nestas comunidades e já provocando expressões a curto e longo prazo. Estados dados apontam para a necessidade de pesquisas para a identificação de genótipos de alto risco circulantes nestas populações mais vulneráveis.